faz cindo minutos que estamos em silêncio quando você me pergunta:
- suco ou capuccino?
- água.
respondo impaciente, que é para impor alguma regra nessa minha vontade de só te obedecer.
e você vai até a cozinha, me traz água com açúcar ("pra te acalmar a urgência...") e procura o violão olhando sobre os ombros - dedilhando uma nota imaginária no teu próprio dorso:
- você viu?
eu aponto o outro lado do quarto.
teu corpo roda sobre os calcanhares, descrevendo uma pequena órbita entre o pescoço e as pernas.
- o que você quer ouvir?
- qualquer uma...
você sabe qual eu quero, mas finge que agiu por uma vontade outra que não me obedecer quando começa:
- yesterday...all my troubles seemed so far away...
e o som vai se formando na trilha invisível que tem que seguir para chegar aos meus ouvidos.
eu quero o que você quer, mas não confesso.
você faz o que eu pedir, mas não assume.
e todo dia é esse o nosso pequeno ritual de independência.
3 comentários:
eu adoro essa leveza...
Te amo, viu ?
faz algumas horas que você dorme, um sono sereno, apesar dos dias.
têm havido rajadas de cores quentes, fazendo suar de cansaço os teus olhos meus.
fico imaginando você andando num sonho bom, cantando, em banho maria, qualquer nota fugidia.
de repente você abre a boca e sussurra qualquer coisa, sorrindo preguiça. abre devagar os olhos de menina, plantando pirraça. fecha. torna a abrir, com o sorriso pedindo resposta.
pergunto:
- de que tu ri?
- é nossa vida que eu vejo de cá.
meu peito forjado em tuas palavras, de sonho, de sempre, de nós.
eu leio e sinto falta...
...falta e saudades
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