Eu não suporto bandido, juro. A parte bandida em mim - e temos todos, ah, temos - vive vigilante, com medo de se tornar maior do que o aceitável. Não furo fila em banco, não exploro trabalho alheio, não fumo maconha, não cheiro cocaína, não flerto com a ilegalidade - porque, oh pá, o mundo já me convenceu que normas são necessárias pra convivência entre nós, imbecis da mesma espécie. Então, que não me joguem pedras. Nem pérolas, que acho cafona. Mas o cara que tá no crime não é só isso: o cara que tá no crime. É estranho pensar que o cabra tem mãe, pai e certamente já sofreu por amor, a não ser que seja um psicopata porque, como se sabe, direção de grandes empresas e tráfico de drogas são áreas de excelência dessa estirpe que não é chegada à empatia humana. Mas toda essa embromação pra dizer que a Época tem uma entrevista curiosa com o Nem, chefão da Rocinha. Caguei pro Nem e quero mais é que ele mofe na cadeia por algumas décadas, mas ninguém é só cara. Nem só coroa.
14 Novembro 2011
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