15 Novembro 2011

Neli.

Laércio nunca foi o que hoje se ouve à vontade: "pró-ativo". Tímido como só, era bom camarada: honesto, bom ouvinte e apaixonado por Neli, seu primeiro e intenso amor. Teve o infortúnio de um dia beber demais e gravar uma foto no celular, que foi descoberta por Neli. Não convenceu a amada que era coisa da bebida, não dele.

Quando o encontrei, logo depois do ocorrido, estava de dar dó, sem saber o que fazer, e aqueles lamentos todos me envolveram mais do que o esperado. Parti para algumas sugestões. Primeiro, uma ligação no celular. A caixa postal dizia: "deixe seu número e assim que possível retornarei. Se você é o Laércio, me esqueça." Na segunda, sugeri flores, rosas vermelhas, que foram devolvidas. Queimadas. Tentamos também desaas agências de mensagens que vão até o local para desfiar palavras apaixonadas: houve dois pneus furados.

Restavam poucos recursos e o homem estava endoidecendo. Decidimos pela cartada final: uma chuva de rosas feita por um helicóptero. Laércio não quis fazer parte já que se cagava de medo de voar. Tudo acertado, eu estava lá, com esperança no resultado.

- E aí, deu tudo certo? A chuva de rosas foi bonita?

A cara do Laércio não era nada animadora.

-Deu certo. Cobriram a casa dela com flores.

- E?

- Ela fugiu com o piloto.

Do Zé Antonio, meu pai.

2 comentários:

Lílian Soares disse...

Eu ri... Será que era pra rir? rsrsrs

Gio disse...

Era, era... Meu pai sempre escreve assim, num riso que escorrega na dresgraça, derrapa na dor...
:-)