12 Novembro 2011

São quase 11 horas da noite e eu estou na Gávea, perto de uma rua que será fechada daqui a pouco pra dificultar o acesso à comunidade da Rocinha (praquela paz verdadeira - hein - ser instalada...). Eu devia ir embora, eu sei. Devia pegar um táxi salvador e ir pro recôndito do meu lar, um bairro distante daqui, onde me aguarda a segurança de ser vizinha de um morro já em harmonia com a política de segurança pública do Rio de Janeiro. Mas o trabalho, o trabalho, não é? Prioridades são prioridades e eu, na base da pirâmide social, torcendo pro mês chegar até o fim do salário, faço mais é obedecer.

Mas eu me peguei pensando: eu não tenho medo. Isso é de uma arrogância, não? Não tenho medo de traficante, bandido, playboy ou general. Não tenho medo de tiro, de tombo, de poço, da morte, de qualquer fim de linha. Não tenho medo de pastel de feira, de amor mal parido, de veneno de cobra nem de dente de leão.

Na vida, evito as baratas. Evito com afinco e gritos de pânico.
E assombração, mas estas temo quieta, com vergonha.

(baratas e fantasmas me redimem?)

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